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terça-feira, 26 de outubro de 2010

To be or not to be

Ás vezes eu assisto/leio o jornal. Apesar de já saber com que tipo de coisa vou me deparar. Acho que é para acabar um pouco com essa sensação de desligada do mundo que me persegue. Ou na verdade ainda tenho esperança de estar errada acerca do mundo. Quem sabe de repente  estou lá abrindo o jornal e , dê de cara com um bando de boas notícias, nunca se sabe...
Ontem a noite, dando uma conferida nos inúmeros quatro canais daqui de casa, dos quais dois dão interferência, vi uma matéria sobre a epidemia de cólera no Haiti. 284 mortos. Muitos jovens. Sei lá, sempre que vejo esse tipo de notícia me divido. Uma parte de mim, - a mais racional - pensa coisas do tipo, "ah, achei que não se morresse mais disso no mundo!" (é absurdo afinal), a outra parte reflete coisas sobre como acho um tremendo desperdício se morrer jovem e como nossa vida às vezes é frágil e efémera.
Aliás, boa parte do meu tempo eu passo pensando em existência, ninguém se importa, a violência do mundo, ser ou não ser. Sempre tive meus momentos Hamlet. Menos dramáticos e sem caveira na mão, mas posso dizer que desde os períodos mais mesolíticos da minha vida estão presentes. E pode até parecer insubstancial, mas não é. Marvin não gosta. Acha coisa de velho passar mais tempo pensando que fazendo outra coisa. Mas ele sempre está ao meu lado. Estava lá esse final de semana quando, embaixo da árvore escangalhada da calçada da vizinha, pensava na morte do tio Peu e em suas vidas. Marv vive dizendo que temos duas, a que se tem e a que se deseja. Acho que o tio Peu conseguiu a plenitude de ser os dois. E apesar de não acreditar muito na sorte acho que se ela existir, deve ser isso.  Coisa mais complicada esse negócio de ser ou não ser. ?